Uma semana depois que um grupo de adolescentes foi atacado em frente a entrada do Shopping ABC, em Santo André, a ONG Ação Brotar pela Cidadania e Diversidade Sexual pede mais segurança e atenção para a comunidade GLBT (Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transexuais) na região.
"Não existe nenhum tipo de política pública para os homossexuais no ABC. A única cidade que desenvolve um trabalho voltado à educação é Mauá, mesmo assim é muito pouco", lamenta o presidente da ONG, Marcelo Gil. "As pessoas estão com medo de freqüentar parques e até mesmo de ir aos shoppings, que são pontos de encontros", observa. Nenhum Boletim de Ocorrência foi registrado.
Marcelo Gil conta ainda que enviou a denúncia, com detalhes do crime e depoimentos de testemunhas, ao Centro de Referência de Combate à Homofobia, Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerência, Coordenadoria de Assuntos de Diversidade Sexual da prefeitura de São Paulo, Centro de Referência em Direitos Humanos de Prevenção e Combate à Homofobia e à Assessoria de Comunicação da Secretaria de Segurança Pública. "Tivemos que pedir ajuda a São Paulo, já que não temos nada parecido aqui no ABC", diz.
Sobre o ocorrido no último dia 26, Gil alerta sobre a importância do registro de Boletim de Ocorrência. "Quem é vítima de algum tipo de agressão deve registrar o B.O. para que a polícia possa tomar as providências cabíveis. Nem a vítima nem a família devem ter medo disso", alerta o presidente.
Agressão
Na noite do último dia 26, um grupo de jovens 'emos' estavam em frente ao Shopping ABC, ponto de encontro da tribo. "Estava atravessando a passarela quando vi que umas 30 pessoas estavam agredindo um rapaz. Eu consegui escapar e só levei um empurrão, mas alguns amigos meus apanharam", conta o jovem G.L., de 16 anos.
Segundo a ONG e as testemunhas, os supostos agressores seriam integrantes dos Carecas do ABC, grupo de intolerância que costuma atacar e agredir homossexuais e negros. "O que nos deixa intrigados é que não foram só os carecas que participaram da ação, skatistas e happers também estavam no meio", afirma Gil.
Apesar da não existência de registro do ocorrido na Policia Civil, a Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerência deSão Paulo tentará investigar e descobrir a identidade dos agressores.
Na tarde da última quinta-feira (31), um grupo formado por oito happers fez ameaças a duas jovens ?emos? de 16 e 14 anos dentro do ABC Plaza Shopping, em Santo André. ?Estavamos caminhando quando os ?abas retas? nos ameaçaram de morte. Ficamos muito assustadas e imediatamente saímos do shopping e nos dirigimos para o Extra Hipermercado. Lá chamamos a polícia?, diz D.L., de 16 anos.
A garota conta que não é primeira vez que sofre esse tipo de ameaça. ?Eu não consigo mais andar sem olhar para trás. Meus pais estão muito preocupados, já não posso mais sair de casa sossegada?.
ONG
A ONG Ação Brotar pela Cidadania e Diversidade Sexual existe desde 2004 e tem como base as diretrizes dos Movimentos de Direitos Humanos, como a luta pela cidadania, inclusão social e auto-estima.
No mesmo ano em que foi fundada, a ONG anunciou, no Fórum Social Mundial, a necessidade da 1ª Parada do Orgulho GLBT em Santo André, até então conhecido como sede dos Carecas do ABC. Naquele ano, o evento reuniu cerca de cinco mil pessoas. A Parada de 2006 atraiu aproximadamente 25 mil pessoas e a de 2007, 30 mil. Realizada em setembro, Marcelo Gil adianta que as agressões serão lembradas em forma de protesto no evento deste ano.
Fonte: RD
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